Egípcios
No século XII a.C.
os egípcios já dispunham de um eficiente sistema postal, sobretudo a partir da
IXX dinastia, quando foi criado um serviço permanente de correios. Os
mensageiros realizavam o percurso a pé – mesmo os mais longos, e repousavam em
estações de pernoite distribuídas ao longo dos "caminhos postais". Os
encarregados das estações exerciam rigorosa vigilância durante o repouso para
garantir a pontualidade.
O texto a seguir
revela carta enviada pelo faraó Amenófis IV do Egito ao seu amigo Kadashman
Kharbe, rei da Babilônia: "Meu irmão Possas tu estar bem. Tua casa, tuas
mulheres, teus carros, tua terra, possam estar muito bem. Eu estou bem e minha
casa, minhas mulheres, meus filhos, meus nobres, meus cavalos, meus carros, os
guerreiros do meu exército estão bem e toda minha terra vai muito bem."
Em 1888, camponeses
encontraram entre as ruínas da cidade de Amarna pranchetas de barro com inscrições hieroglíficas. Os
egiptólogos concluíram tratar-se de "cartas" (gravadas em
baixo-relêvo sobre ladrilhos de cerâmica) que, geralmente, continham
introduções demasiado corteses e bem elaboradas. Carta de um príncipe vassalo
ao seu faraó: "Ao rei, meu senhor, meu deus, meu sol, sol do céu, assim
fala Yapakhi, o homem de Gazri, teu servo, pó de teus pés, servo de teus
cavalos; aos dois pés do rei meu senhor, meu deus, meu sol, sol do céu, eu me
prosterno sete vezes e sete vezes na verdade, com o ventre e as costas."
Persas
Os persas
aperfeiçoaram as normas postais do Egito. O historiador grego Xenofonte
descreveu a organização do correio da Pérsia: "Eis uma invenção
utilíssima... Por meio dela, Ciro é prontamente informado de tudo o que
acontece nas regiões mais longínquas"...
Gregos
Os gregos, a
despeito do grau de civilização atingido por eles, não conseguiram estruturar
um sistema postal eficiente, entre outras razões, prejudicado pela falta de
unidade política. Assim, nos moldes do correio persa, constituíram o angarion,
cujos mensageiros eram chamados astandes. A correspondência era dividida em
categorias: epistolai - constituída apenas por maços de cartas; e culistoi -
incluíam comunicações governamentais. Os "carteiros" na antiga Grécia
– funcionários responsáveis pela distribuição local, eram chamados bibliaforoi.
Os fiscais de pontualidade eram denominados orógrafos e controlavam o horário
dos funcionários. Além do zelo com a pontualidade, havia grande preocupação com
a segurança, que era exercida pelos éfodos – encarregados de impedir extravios.
Cretenses e
fenícios
Os cretenses e
fenícios também desenvolveram um sistema de comunicação postal e foram os
primeiros a utilizar pombos e
andorinhas como mensageiros.
Chineses
Segundo alguns
historiadores e relato do viajante veneziano Marco Polo (século XIII) os
chineses foram pioneiros no serviço postal: "...por todas as estradas, o
mensageiro que partisse de Cambaluc e cavalgasse por 40 km, encontrava um
belíssimo e enorme palácio destinado aos mensageiros, com magníficas camas
guarnecidas de ricos lençóis de seda – adequado até mesmo a um rei.". O
modelo do serviço postal chinês permaneceu inigualável até à formação do
Império Romano.
Romanos
Desenvolvido pelo
imperador Augusto, o sistema de correios dos romanos sobressaiu-se pela vasta
rede de estradas. A infra-estrutura que permitia aos soberanos governar a
enorme extensão de territórios do império a partir de Roma, naturalmente ia
além das rodovias. Os romanos denominavam cursus publicus o sistema que garantia
a transmissão de notícias, a viagem dos funcionários e o transporte de bens em
nome do Estado. Os mensageiros eram chamados tabellarii pelo fato de conduzirem
as tabellae - pranchetas de madeira, em suas bolsas de couro. Além dos
mensageiros, o Estado utilizava o cisium – espécie de biga puxada por cavalos
velozes para despachos rápidos. As clabulas e birotas - puxadas por bois e
mulas, eram usadas para serviços de menor urgência.
O correio romano
era regulamentado por lei. O Estado mantinha as mutationes (postos de troca de
animais) e as mansiones ou stationes (paradas com estalagens e instalações para
viajantes). As estradas eram balizadas pelos miliarium, que eram marcos
colocados em intervalos de cerca de mil passos (1480 metros). Em sua base
estava escrito o número da milha relativo à estrada em questão.
Com o tempo, o
serviço postal passou a ser privilégio de poucos.
Astecas e Incas
Os correios asteca
e inca, na América pré-colombiana, possuíam desenhistas e reproduziam em telas
figuras representativas de pessoas e animais de monta: eram os correios de
Montezuma, imperador asteca. Os mensageiros usavam uma rica vestimenta (manta)
atada ao corpo, eram respeitados e detentores de imunidades: a ninguém era
permitido bloquear a passagem do "correio real". Os colonizadores
espanhóis, quando souberam dos "desenhistas" e tiveram informações do
organizado serviço postal dos nativos, esforçaram-se para eliminá-lo, receando
que o sistema ameaçasse o domínio da terra.







